Vendas
Segmentacao da base para disparo por produto no CRM HRZ

Pare de disparar para a base inteira: segmentar a lista por produto dobra a conversao

O disparo geral, a mesma mensagem para todo mundo, e o jeito mais caro de vender: gasta credito com quem nao tem interesse e converte pouco. Como quebrar a base por produto, comportamento e historico de compra, priorizar as listas por potencial de receita e mandar a oferta certa para cada recorte dentro do CRM.

Atualizado em

Conteudo deste post
  1. Por que o disparo geral sai caro
  2. Os recortes que importam
  3. A logica do cliente modelo
  4. Priorizar lista por receita
  5. Como montar no CRM
  6. Erros que queimam a base
  7. Como comecar amanha
  8. Perguntas frequentes

O disparo geral, a mesma mensagem para a base inteira, e o jeito mais caro de vender. Voce paga para enviar para todo mundo, mas so uma fatia pequena tinha interesse naquela oferta, entao a maior parte do credito vai embora com quem nunca ia comprar e a taxa de resposta fica no chao. O caminho que muda esse resultado e quebrar a base em recortes: quem comprou um produto, quem pediu orcamento de outro, quem abandonou carrinho, quem ja foi cliente e parou. Cada recorte recebe a oferta que faz sentido para ele. A mesma acao, quando roda segmentada por produto e comportamento em vez de geral, costuma converter muito mais, porque a pessoa reconhece que aquela mensagem foi feita para ela. Esse texto mostra como montar os recortes no CRM, como priorizar as listas pelo potencial de receita e como aplicar a logica do cliente modelo para reativar quem ja comprou aquele produto especifico.

Definicao

Segmentar a base para disparo e dividir a sua lista de contatos em grupos com intencao parecida (mesmo produto comprado, mesmo comportamento, mesmo estagio de compra) e enviar para cada grupo a oferta que conversa com ele, em vez de uma mensagem unica para todo mundo. O objetivo nao e mandar menos: e mandar a coisa certa para a pessoa certa, gastando credito so onde existe chance real de venda.

Se voce tem e-commerce, varejo, uma clinica ou um servico com base de clientes, ja viveu isto. Chega a hora de fazer uma acao, voce escreve uma mensagem, seleciona a lista inteira e dispara. Vende alguma coisa, claro, porque base grande sempre tem alguem pronto para comprar. Mas o custo daquele envio foi pago por contato, inclusive pelos milhares que ignoraram, e a conversao ficou bem abaixo do que poderia. O problema nao e o disparo. E disparar a mesma coisa para gente que esta em situacoes completamente diferentes.

Quem escreve Joao Vinas Especialista em CRM e Gestao Comercial do Grupo HRZ

Comanda a implementacao de CRM, a estrutura comercial e as acoes de disparo em massa (reativacao de base e picos de venda) dos clientes do Grupo HRZ. Escreve sobre como transformar base parada e operacao comercial em receita previsivel.

Por que o disparo geral sai caro

Cada disparo tem um custo por contato. Mande para dez mil pessoas e voce paga por dez mil envios, independente de quantas estavam interessadas. Se a oferta era de um produto que so faz sentido para uma parte da base, voce pagou o envio cheio para vender a uma fatia. Esse e o primeiro lado caro: o credito desperdicado com quem nunca ia responder.

O segundo lado e mais perigoso e menos visivel. Quando a pessoa recebe varias mensagens que nao tem nada a ver com ela, ela aprende que as suas ofertas nao sao para ela e passa a ignorar tudo. Pior: parte dessas pessoas descadastra ou bloqueia o numero. No broadcast pelo WhatsApp isso e ainda mais sensivel, porque taxa alta de descadastro e de mensagem nao entregue derruba a reputacao do numero e a propria plataforma comeca a penalizar a conta. Disparo geral nao queima so o credito daquele envio, ele queima a base para os proximos.

Existe um terceiro custo, que e o de oportunidade. A oferta certa para quem comprou um produto especifico ha trinta dias quase nunca e a mesma da oferta certa para quem nunca comprou nada. Ao mandar uma so mensagem, voce abre mao das duas vendas que teria se falasse com cada grupo do jeito dele. O disparo geral parece barato porque e rapido de montar. Na conta cheia, ele e o mais caro que existe.

"O disparo geral e o jeito mais caro de vender. Voce paga para falar com a base inteira e converte como se tivesse falado com poucos. Quando voce quebra a lista por produto e por comportamento, a mesma acao rende muito mais, porque cada pessoa recebe a oferta que de fato tem a ver com ela", explica Joao Vinas.

Os recortes que realmente importam

Segmentar nao e criar cem listas. E criar os poucos recortes que carregam intencao clara, aqueles onde a pessoa ja deu um sinal do que quer. Comece por estes, que costumam concentrar a maior parte da receita de uma acao.

Recorte 1

Quem comprou um produto especifico

Quem ja comprou um item conhece ele, gostou o suficiente para pagar e tem a maior chance de comprar de novo, seja o mesmo produto em recompra, seja um complemento. E a lista mais quente que voce tem para uma oferta ligada aquele produto. O historico de compra registrado no CRM e o que torna esse recorte possivel.

Exemplo de uso: quem comprou o produto A recebe a oferta de reposicao do A ou do acessorio que combina com ele, nao a promocao de um produto B que ele nunca olhou.
Recorte 2

Quem pediu orcamento e nao fechou

Essa pessoa chegou perto. Pediu preco, demonstrou interesse e parou por algum motivo. Ela ja esta dentro do contexto da compra, entao uma oferta com uma condicao melhor ou um lembrete bem feito tem chance real de destravar a venda que ficou no meio do caminho.

Exemplo de uso: quem pediu orcamento do servico nos ultimos dias recebe uma condicao de fechamento com prazo, em vez de cair no esquecimento.
Recorte 3

Quem abandonou carrinho

No e-commerce, o carrinho abandonado e o recorte de retorno mais rapido que existe. A pessoa escolheu o produto, colocou no carrinho e nao concluiu. Um disparo segmentado sobre esse grupo, muitas vezes com um cupom, costuma ser a primeira acao que dah resultado, porque a intencao de compra estava praticamente fechada.

Exemplo de uso: quem abandonou carrinho nas ultimas horas recebe um lembrete com a vantagem certa para concluir o pedido.
Recorte 4

Quem ja foi cliente e parou

O cliente inativo e o ativo mais barato de acordar, porque ja conhece a marca e ja confiou. Esse grupo merece uma acao propria de reativacao, com oferta pensada para trazer de volta, e nao a mesma mensagem de quem comprou ontem. Tratar inativo como rotina, e nao so quando o caixa aperta, e o que mantem a base viva.

Exemplo de uso: quem nao compra ha um tempo definido entra numa cadencia de reativacao com um motivo claro para voltar agora.

Repare que cada recorte fala com um momento diferente da pessoa. Quem nunca comprou e nao deu sinal nenhum fica fora dessas listas de oferta direta, e entra numa comunicacao mais leve de aquecimento antes de receber uma proposta. Esse mesmo principio de nao tratar todo contato igual aparece na regua de relacionamento automatizada, que organiza qual mensagem cada pessoa recebe conforme o momento dela com a marca.

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A logica do cliente modelo

Tem um jeito de pensar a segmentacao que muda a forma de montar a acao: comecar pelo cliente modelo. Cliente modelo e a pessoa que ja comprou aquele produto especifico e teve uma boa experiencia. Em vez de oferecer o produto para a base inteira na esperanca de acertar alguem, voce parte de quem ja comprou ele e desenha a acao ao redor desse grupo.

A vantagem e direta. Quem ja comprou o produto A e o publico mais provavel de comprar de novo o A, ou de comprar o B que anda junto com o A. Ao reativar primeiro esse grupo, voce conversa com quem tem a maior taxa de conversao possivel, gasta menos credito por venda e ainda colhe sinais do que funciona antes de abrir a oferta para listas mais frias. O cliente modelo e a semente da acao, nao o resto dela.

Isso vale para qualquer tipo de negocio. Numa clinica, o cliente modelo de um procedimento e quem ja fez aquele procedimento e esta na janela de retorno. Num e-commerce, e quem comprou a categoria e costuma repor. Num servico, e quem contratou e teve resultado. A pergunta que abre a acao deixa de ser "para quem eu mando?" e passa a ser "quem ja comprou isso e tem a maior chance de comprar de novo?".

Base parada e dinheiro parado: a venda mais barata e para quem ja comprou de voce.

Esse raciocinio conversa direto com a tese de que reativar a base custa muito menos do que conquistar cliente novo. O detalhe do retorno da reativacao contra o custo de aquisicao esta no post sobre base inativa e o ROI da reativacao, que mostra por que mexer na base com frequencia faz ela crescer em vez de secar.

Priorizar a lista por potencial de receita

Depois de criar os recortes, vem a decisao que separa quem segmenta de quem so divide listas: a ordem de prioridade. Voce nao precisa disparar tudo de uma vez. Precisa disparar primeiro para o recorte que devolve mais por contato enviado.

A conta e simples. Para cada recorte, pense em duas coisas: o tamanho da lista e a chance de venda dela. Uma lista pequena de quem pediu orcamento ha poucos dias pode render mais que uma lista enorme de contatos frios, porque a taxa de fechamento e muito maior. Priorizar por receita esperada, e nao por tamanho, e o que faz o credito do disparo render.

Recorte Intencao de compra Prioridade no disparo
Abandonou carrinho Muito alta, compra quase fechada Primeira, retorno mais rapido
Pediu orcamento e nao fechou Alta, ja demonstrou interesse Alta, oferta de fechamento
Comprou o produto antes Alta para recompra e complemento Alta, oferta ligada ao produto
Cliente que ficou inativo Media, ja confiou na marca Media, acao de reativacao propria
Nunca comprou, sem sinal Baixa, ainda nao se aqueceu Baixa, aquecimento antes da oferta

Essa logica de tratar publico quente e publico frio de formas diferentes nao vale so para o disparo na base. Ela e a mesma divisao por temperatura que organiza a campanha de anuncios, onde quem ja conhece a marca recebe a oferta direta e quem nao conhece recebe um gancho antes. Como separar essas temperaturas no anuncio esta no post sobre publicos quentes no Meta Ads e segmentacao.

Como montar a segmentacao no CRM

Tudo isso depende de uma coisa: a base precisa estar organizada para que voce consiga filtrar esses recortes em poucos cliques. Esse e o papel do CRM. Sem ele, segmentar vira garimpo manual em planilha que ninguem mantem. Com ele, cada recorte vira um filtro pronto e o disparo sai agendado para a lista certa.

Tres pecas sustentam a segmentacao dentro do CRM:

  • Etiquetas. Marcar cada contato com o que ele e (comprou o produto A, pediu orcamento, abandonou carrinho, cliente inativo) deixa qualquer recorte a um filtro de distancia. A etiqueta tem que ficar presa ao contato mesmo depois que a conversa fecha, senao o recorte se perde.
  • Campos e historico de compra. Guardar o que a pessoa comprou, quando comprou e quanto gastou e o que permite montar a lista de cliente modelo e a de recompra. O historico e a materia-prima da segmentacao.
  • Comportamento registrado. Carrinho abandonado, orcamento aberto, ultima compra, tempo desde a ultima visita. Sao esses sinais que separam quem esta pronto para comprar de quem ainda precisa de aquecimento.

Com essas pecas no lugar, o disparo deixa de ser improviso. Voce filtra o recorte, escreve a oferta especifica daquele grupo, agenda o envio e, antes do envio sair, revisa exatamente o que vai para cada lista. Essa revisao final, vendo a mensagem e o recorte juntos antes do "ok", e onde se evita a maioria dos disparos ruins. Depois do envio, voce mede quanto cada lista gerou e usa isso para priorizar melhor na proxima acao.

A segmentacao tambem se conecta com a mecanica da oferta. Um mesmo cupom rende muito mais quando vai para o recorte certo com uma condicao bem amarrada do que solto para a base inteira. Como montar essa condicao com prazo e limite para puxar o ticket esta no post sobre voucher condicionado e escassez no disparo.

Os erros que queimam a base no disparo

Segmentar bem evita os tres erros que mais derrubam uma acao de disparo. Vale conhece-los para nao repetir.

Mandar oferta para quem nao tem contexto. Disparar uma promocao de produto para quem nunca comprou e nem demonstrou interesse so ensina a pessoa a ignorar suas mensagens e aumenta o descadastro. Quem nao deu sinal recebe aquecimento, nao oferta direta.

Deixar a etiqueta sumir depois da venda. Se a marcacao de origem e de produto some quando a conversa e fechada, voce perde o historico que sustenta o proximo recorte. A etiqueta tem que ser permanente no contato, do primeiro contato a recompra.

Manter na lista o numero que nao recebe mais. Numero fora de uso ou bloqueado gera falha de entrega, e falha de entrega derruba a reputacao da conta. O contato com falha precisa sair da regua, senao a sua proxima acao chega a menos gente boa.

Os tres erros tem a mesma raiz: tratar a base como um bloco unico em vez de grupos com situacoes diferentes. A segmentacao resolve isso na origem, porque obriga voce a decidir, para cada recorte, o que faz sentido enviar e o que nao faz.

Como comecar a segmentar amanha

Voce nao precisa reorganizar a base inteira de uma vez para colher o primeiro resultado. Comece pequeno, pelo recorte mais quente, e va ampliando.

  1. Escolha um recorte de alta intencao para a primeira acao. Carrinho abandonado, orcamento aberto ou quem comprou um produto especifico. Comece por onde a venda esta mais perto.
  2. Organize esse recorte no CRM com etiqueta e historico. Garanta que da para filtrar essa lista em poucos cliques e que a etiqueta fica presa ao contato.
  3. Escreva a oferta especifica daquele grupo. Nada de mensagem generica: a oferta tem que reconhecer a situacao da pessoa (o carrinho que ficou, o orcamento que abriu, o produto que ela comprou).
  4. Agende o disparo e revise antes de enviar. Veja a mensagem e o recorte juntos, confirme que a lista esta certa, e so entao libere.
  5. Meca o resultado e priorize a proxima lista. Compare quanto cada recorte gerou e use isso para decidir a ordem da proxima acao.

Segmentar nao e tecnica de quem tem base gigante. E disciplina de quem entende que cada contato esta num momento diferente e merece uma conversa diferente. O disparo geral continua existindo para o aviso que vale para todos, mas a oferta, aquela que pede a compra, vai sempre para o recorte certo, com a mensagem certa, gastando credito so onde existe chance real de vender.

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