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O comércio varejista brasileiro fechou 45,9 mil vagas com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, o maior corte para um começo de ano desde a pandemia. No mesmo período, a economia como um todo criou 921 mil postos formais. O varejo, sozinho, andou na direção oposta de todo o resto do mercado.
Diante de um número desses, a reação mais comum do lojista é defensiva. Entra menos dinheiro, então corta-se custo, e o custo mais fácil de cortar é a folha. Eu quero defender aqui o caminho oposto, porque demitir alivia a planilha do mês sem resolver o que de fato travou a venda.
Comentei esse cenário ao vivo na Jovem Pan News. A tese que levei ao ar é a mesma que aplico com os clientes do Grupo HRZ: num semestre em que o consumo aperta, a saída não é encolher a operação, é gerar mais receita da base e da demanda que a loja já consegue alcançar.
Gerar receita em vez de demitir é atacar o lado da receita antes do lado do custo: em vez de reduzir a estrutura para caber no que entra, você aumenta o que entra com estratégia comercial sobre a base e a demanda que a loja já tem. Cortar folha é reação ao sintoma; ativar a base é resposta à causa.
Comanda a frente de estratégia comercial do Grupo HRZ: picos de venda, reativação de base e recompra. Escreve sobre varejo, consumo e como transformar operação em receita sem depender só de tráfego pago.
Assista ao meu comentário na Jovem Pan News. Falei ao vivo sobre a queda de empregos no varejo e a virada de estratégia no Fast News, 2ª edição, da Jovem Pan News. O texto abaixo aprofunda o que defendi no ar: por que cortar é reação, e como o varejo gera receita a partir daqui.
Cortar folha ou ativar base: a escolha que define o ano
Todo lojista que sente a venda cair chega ao mesmo cruzamento. De um lado, a saída defensiva: reduzir custo, e a folha é o corte mais rápido de fazer. Do outro, a saída ofensiva: manter a estrutura e usá-la para extrair mais faturamento da base e da demanda que a loja já alcança. As duas parecem racionais no susto do mês, mas levam a lugares opostos.
O problema de começar pelo corte é que ele ataca a capacidade de vender bem no momento em que vender é o que mais falta. Quem atende, fecha e entrega é justamente quem transforma esforço comercial em receita. Cortar essa ponta encolhe a operação para caber numa receita menor, e a receita menor cobra o próximo corte. É uma espiral que se alimenta sozinha.
| Reação defensiva: cortar folha | Estratégia comercial: ativar base |
|---|---|
| Alivia o custo do mês, mas reduz a capacidade de vender | Mantém a estrutura e aumenta o que ela produz de receita |
| Ataca o sintoma (o caixa apertado) | Ataca a causa (a demanda que parou de chegar) |
| Depende de o mercado melhorar sozinho para voltar a crescer | Gera faturamento com o que a loja já tem hoje |
| Tende à espiral: vende menos, corta, atende pior, vende menos | Tende ao ciclo: ativa, vende, reinveste, cresce a base |
Não estou dizendo que cortar custo nunca faça sentido. Estou dizendo que começar por ele, antes de esgotar o que a operação pode gerar de receita, é resolver o problema errado. Primeiro se ativa a receita; o ajuste de custo, quando necessário, vem depois e menor.
Por que demitir é reação, e não estratégia
O varejo é o termômetro do consumo. Quando ele demite em massa num semestre em que o país inteiro contrata, o que quebrou não foi a gestão da loja, foi a renda das famílias secando na origem. E as forças que secaram essa renda estão todas do lado da demanda, não do lado da folha.
Os juros altos encareceram o crédito e tiraram fôlego da compra parcelada, que é como boa parte do varejo vende. As bets passaram a comprometer uma fatia relevante da renda que antes circulava no comércio. E a migração para o e-commerce redistribuiu a venda, tirando movimento de quem não acompanhou o canal. Some as três e você entende por que a loja vende menos mesmo fazendo tudo igual ao ano passado.
Reparar nisso muda a decisão. Demitir mexe no custo, um problema que a loja não tem sozinha. O que a loja tem é um problema de demanda, e demanda não se resolve encolhendo, se resolve indo buscar. Detalhei os números e as causas dessa queda no post sobre o varejo que fechou 46 mil vagas na contramão do mercado.
"Quando o comércio demite num semestre que o país contrata, o problema não está na folha, está na renda das famílias. Cortar gente é reagir ao susto. Estratégia é ir atrás do faturamento que já está dentro de casa, na base que a loja construiu e esqueceu", afirma Iury Borges.
Concentrar faturamento em picos de venda
A primeira alavanca de receita é parar de vender diluído e passar a concentrar demanda em picos. Um pico de venda é uma ação comercial curta, normalmente de 24 a 48 horas, com uma oferta única e forte, a base aquecida antes da abertura e comunicação em alta frequência no dia. É o método que chamamos de Venda 10X.
Por que concentrar funciona melhor que diluir? Porque o esforço de operação e de mídia rende muito mais numa janela curta com urgência real do que espalhado por trinta dias sem motivo para o cliente agir hoje. O pico reúne, num mesmo momento, quem estava só adiando a compra, e transforma intenção parada em faturamento.
- Uma data com motivo. Pode ser sazonal ou uma data própria da marca. O que importa é existir uma razão clara para a oferta abrir e fechar, criando começo, meio e fim.
- Base aquecida antes. A audiência entra na ação sabendo que vem oferta, então chega no dia já decidida, em vez de ser interrompida por uma promoção solta.
- Alta frequência no dia. A mesma oferta volta várias vezes na janela, mudando o ângulo e não a oferta, para alcançar quem decide pela história, pelo preço e pela pressão do prazo.
A mecânica completa de como montar essa ação está no post sobre pico de vendas no varejo e no e-commerce. O ponto aqui é estratégico: o pico é o oposto de esperar a venda pingar. É a loja provocando o faturamento, em vez de torcer por ele.
Reativar a base parada e fazer o cliente voltar
A segunda alavanca é a mais barata que existe, e quase sempre a mais ignorada: a base de clientes que já comprou e sumiu. Todo varejo tem uma lista de gente que passou pelo caixa uma vez e nunca mais voltou. Isso não é uma lista morta, é dinheiro parado.
Quem já comprou conhece a marca, confia e não precisa ser convencido do zero. Por isso o custo de gerar uma venda reativando a base é uma fração do custo de atrair um cliente novo por anúncio, ainda mais agora que o tráfego ficou mais caro com os juros. Enquanto o corte de folha tenta economizar, a reativação faz o contrário: gera receita nova a partir de um ativo que a loja já pagou para construir.
É por isso que, antes de aumentar o investimento em mídia, faz mais sentido reativar a base inativa. E não para na primeira volta: a receita mais previsível do varejo vem da recompra, de fazer o mesmo cliente voltar uma segunda, terceira e quinta vez, tema que trabalho no post sobre recompra depois do pico.
Onde a estratégia vira processo: nada disso funciona no improviso. Reativar base e provocar recompra exige saber quem comprou o quê e quando, disparar na hora certa e medir cada ação por origem. É o papel do CRM: transformar a base num ativo que gera receita com previsibilidade, em vez de uma lista esquecida numa planilha.
Oferta que vende sem queimar a margem no desconto
Quando a venda cai, o reflexo é baixar preço. Mas desconto raso é a pior resposta num semestre apertado, porque ataca justamente a margem, que é o que você não pode perder. Além disso, vira uma corrida para o fundo: sempre existe alguém disposto a dar um pouco mais de desconto, e essa é uma disputa que a loja quase sempre perde.
A oferta que sustenta um pico não se apoia em preço, se apoia em percepção de valor. Combo que aumenta o ticket, bônus que faz o pacote parecer maior, condição especial de prazo, ancoragem que mostra o quanto se está ganhando e uma razão crível para comprar agora. Uma oferta bem construída vende mais que um desconto e ainda preserva a margem.
Desconto queima margem e vira corrida para o fundo. Oferta construída com valor vende mais e mantém o lucro de pé, que é o que o varejo não pode perder em 2026.
Montar essa oferta é uma disciplina, não um chute de última hora. O caminho de vender sem dar desconto usando ancoragem de preço mostra como fazer o cliente enxergar valor antes de olhar o número, que é o que separa a oferta que converte da promoção que só corrói a margem.
O que a estratégia gera na prática
Essa não é uma tese de palco. É o que as ações de pico do Grupo HRZ produzem quando a estratégia comercial é aplicada de verdade, em portes bem diferentes de operação. Alguns resultados de faturamento concentrado em uma única ação:
| Marca | Faturamento na ação | Janela |
|---|---|---|
| Polishop | R$ 764.801 | 24 horas |
| Alphahall | R$ 1.900.909 | 48 horas |
| UseZest | R$ 552.177 | 48 horas |
Repare que não são três negócios do mesmo tamanho fazendo a mesma coisa. São operações de portes diferentes, e em todas o faturamento foi concentrado numa janela curta com oferta construída e base ativada. Nenhum desses números veio de aumentar o corte de custo. Vieram de gerar receita a partir do que a marca já tinha.
É essa a diferença que quero deixar clara. No mesmo semestre em que parte do varejo demitia, dava para virar quase R$ 1,9 milhão em 48 horas com estratégia. A crise não anula o método; ela torna o método mais necessário.
Por onde o lojista começa
Se a venda apertou e a tentação de cortar folha está na mesa, a ordem importa. Não comece pelo corte. Esgote primeiro o que a operação pode gerar de receita, na sequência que rende mais rápido.
- Olhe a base antes do anúncio. Levante quem já comprou e sumiu, porque reativar essa lista é o faturamento mais barato e mais rápido que a loja tem à mão.
- Monte um pico de verdade. Escolha uma data com motivo, aqueça a base antes e concentre a oferta numa janela de 24 a 48 horas, em vez de vender diluído o mês inteiro.
- Construa a oferta com valor, não com desconto. Combo, bônus, ancoragem e prazo, para vender mais sem queimar a margem que você precisa preservar.
- Meça por origem e provoque recompra. Saiba de onde veio cada venda e traga o mesmo cliente de volta, transformando a ação pontual em receita recorrente.
Demitir é a resposta de quem só enxerga o custo. Gerar receita é a resposta de quem enxerga a base, a oferta e a demanda que a loja já tem e ainda não ativou. Num ano em que o varejo caminha na contramão, essa escolha é o que separa quem encolhe de quem cresce.
A crise é real, os números do CAGED são reais, e a renda apertada das famílias é real. Mas nenhum deles obriga a loja a começar pelo corte. O caminho que defendo, na Jovem Pan e com cada cliente, é o de virar a chave da defesa para o ataque: parar de reagir cortando e passar a gerar receita com estratégia.
Prefere gerar receita a cortar folha? Vamos montar seu próximo pico.
O time do Grupo HRZ analisa sua base, sua oferta e seu calendário comercial, mostra onde o CRM entra como motor e desenha um plano de picos e reativação sob medida para o seu porte. 30 minutos de conversa, sem custo.
Estratégia comercial de varejo direto com quem opera
Iury Borges mostra no Instagram como picos de venda, reativação de base e recompra são planejados de verdade, com oferta construída e operação no dia da ação. Siga para acompanhar o método por dentro.
