Vendas
Vender sem dar desconto usando ancoragem de preço e produto de entrada no CRM HRZ

Pare de dar desconto: a oferta de entrada e a ancoragem que aumentam o ticket sem corroer margem

Pedido de desconto come margem, e orçamento alto não fecha porque a relação ainda não foi construída. Troque desconto por valor entregue, ancore o preço na oferta completa e abra um produto de entrada que faz o cliente comprar mais vezes.

Atualizado em

Conteúdo deste post
  1. O reflexo que sangra a margem
  2. A troca: valor no lugar do desconto
  3. O efeito bom: o cliente volta mais vezes
  4. Orçamento alto não fecha sem relação
  5. O produto de entrada que destrava o ticket
  6. Ancoragem de preço na prática
  7. Como aplicar sem virar guerra de preço
  8. Ouça no podcast
  9. Perguntas frequentes

Dar desconto come margem, e a margem é a única fatia que paga as contas. Em vez de cortar preço, entregue valor: um item de baixo custo e alto valor percebido como brinde, ancore o preço na oferta completa e abra um produto de entrada que faz o cliente comprar mais vezes.

O reflexo de baixar o preço quando o cliente reclama parece esperteza, mas é o que sangra o lucro em silêncio.

E o orçamento alto que não fecha quase nunca é caro demais. Ele só chegou cedo demais, antes de a relação existir.

Este post mostra como trocar a moeda da negociação: sair do preço cortado para o valor entregue, sem entrar em guerra de centavos.

Definição

Ancoragem de preço é apresentar primeiro a oferta completa, com o valor cheio, para que esse número vire a referência que o cliente usa para julgar todo o resto.

Quando o teto é mostrado antes, a versão intermediária parece equilibrada e a de entrada parece barata, sem que nada precise ficar mais caro. O cliente compara com a sua âncora, não com o concorrente.

Se você vende para o consumidor final, conhece a cena. O cliente gosta do produto, está quase fechando, e solta a frase de sempre: "tem desconto?".

O reflexo é ceder. Tira 10%, fecha a venda, comemora. Só que esse 10% não saiu do custo, saiu do lucro.

E pior: o cliente aprendeu que o seu preço é negociável. Da próxima vez, ele pede de novo, e agora você está preso na sua própria armadilha.

Quem escreve João Vinas Sócio do Grupo HRZ e especialista em CRM e gestão comercial

Comanda a implementação de CRM, a estrutura comercial e as ações de disparo em massa dos clientes do Grupo HRZ. Escreve sobre como transformar base parada e operação comercial em receita previsível.

O reflexo que sangra a margem

O desconto parece barato porque o número some rápido da conta. Mas ele não sai do custo do produto, sai do lucro da venda.

Em uma operação que já trabalha com margem apertada, um corte de 10% pode comer metade do que aquela venda ia deixar no caixa.

Você dobra o esforço de vender para ganhar menos, e ainda treina o cliente a esperar o abatimento na próxima.

O segundo dano é mais sutil. Quando o desconto vira hábito, o preço cheio deixa de existir na cabeça do cliente.

Ele para de comprar pelo valor e passa a comprar pela espera do corte. A oferta cheia vira ficção, e o seu preço real vira o preço com desconto.

"A gente não dá mais desconto. Quando o cliente pede desconto, em vez de desconto a gente coloca junto algo que para a gente tem custo baixo, mas para ele tem valor de mercado", afirma João Vinas no WeblivCast.

A saída não é segurar o preço na unha e perder a venda. É mudar a moeda da conversa.

O cliente quer sentir que ganhou alguma coisa. Você só precisa decidir se o que ele ganha sai do seu lucro ou do seu estoque de valor percebido.

A troca: valor entregue no lugar de desconto

A jogada é simples e muda tudo: em vez de cortar o preço, você adiciona algo. Um brinde, um bônus, um item complementar.

O critério é só um. Esse item precisa ter custo baixo para você e valor percebido alto para o cliente. O segredo está nesse descasamento.

Como funciona

Custo baixo de um lado, valor de mercado do outro

Pense em algo que sai barato da sua operação, porque você produz em escala, sobra capacidade ou já tem em estoque, mas que no mercado o cliente compraria por um valor bem maior. É isso que você coloca junto quando ele pede desconto.

O cliente sente que levou mais pelo mesmo dinheiro. A sua margem fica intacta, porque o preço não mudou: o que mudou foi a percepção de quanto ele recebeu.

Sinal de que está funcionando: o cliente para de pechinchar e passa a perguntar "o que vem junto?", em vez de "quanto cai o preço?".

Compare as duas saídas. Um desconto de 10% tira dinheiro real do caixa de toda venda, para sempre.

Um brinde de custo baixo entra uma vez, preserva o preço cheio e ainda aumenta a percepção de valor da oferta. A conta é desigual a seu favor.

Quando o cliente pede desconto Dar desconto Entregar valor
O que acontece com a margem Sai direto do lucro da venda Fica preservada, o preço não muda
O que o cliente aprende Que o seu preço é negociável Que comprar com você rende mais
Efeito na próxima compra Ele pede desconto de novo Ele valoriza a oferta cheia
Quer montar uma oferta que vende sem corroer margem? Em 30 minutos, nosso time ajuda a desenhar o brinde de valor, a ancoragem e o produto de entrada da sua operação, e mostra como o CRM organiza isso. Sem custo e sem proposta no final.

O efeito bom: o cliente volta mais vezes

Trocar desconto por valor não preserva só a margem daquela venda. Ele muda a relação com o cliente daqui para frente.

Quem recebeu algo a mais sente que foi bem tratado, não que arrancou um abatimento. A sensação de cuidado pesa mais do que o centavo economizado.

E cliente bem tratado volta. Ele lembra que comprar com você rendeu mais do que esperava, e a próxima compra começa com confiança em vez de pechincha.

É aí que o ticket médio sobe sozinho: não porque você empurrou mais caro, mas porque o cliente parou de comprar pelo menor preço e passou a comprar pela melhor experiência.

Desconto compra uma venda. Valor entregue compra um cliente que volta.

Essa recorrência é onde o lucro de verdade mora. A primeira compra raramente paga o custo de conquistar o cliente.

O retorno aparece quando ele compra a segunda, a terceira e a quarta vez. Estruturar essa recompra é o coração de qualquer operação que vive de cliente que fica, como mostra o post sobre recorrência e recompra de procedimentos em clínica de estética.

Orçamento alto não fecha sem relação

Existe um irmão gêmeo do pedido de desconto: o orçamento grande que o cliente pede, recebe e some.

A leitura comum é que ficou caro. Mas na maioria das vezes o problema não é o preço, é o momento. O número chegou antes de a relação existir.

O cliente que ainda não comprou de você não tem prova do seu trabalho. Diante de um valor alto, ele não tem confiança suficiente para dizer sim, então adia, pesquisa, esfria.

Empurrar o orçamento cheio nesse ponto é pedir um voto de confiança que você ainda não conquistou.

"Em vez de passar o orçamento cheio, divida: faça um orçamento só do que ele quer resolver primeiro", recomenda João Vinas no WeblivCast.

Dividir o orçamento resolve a dor mais urgente primeiro, num valor que o cliente consegue aprovar sem travar.

Ele fecha o primeiro pedaço, experimenta a entrega, e volta para o resto com a confiança que faltava. Você não perdeu a venda grande: parcelou em etapas que o cliente consegue dizer sim.

O produto de entrada: a porta que destrava o ticket maior

Dividir o orçamento e abrir um produto de entrada são a mesma ideia vista de dois ângulos. Os dois reduzem a barreira da primeira compra.

O produto de entrada é uma oferta menor, de preço acessível, feita para o cliente comprar a primeira vez e provar o seu trabalho com baixo risco.

Definição

Produto de entrada é a oferta de baixa barreira que existe para destravar a relação, não para dar o maior lucro na primeira venda.

Quem compra uma vez e tem boa experiência compra de novo, com menos resistência e ticket maior. O produto de entrada é a porta: transforma desconhecido em cliente, e cliente em recorrência.

O erro é olhar o produto de entrada pela margem da primeira venda e achar que não vale a pena. Ele não foi feito para isso.

O retorno vem depois, quando o cliente que entrou pela porta pequena percorre o resto da casa. É a lógica de pensar a receita pelo cliente inteiro, não pela primeira transação.

Essa visão de quanto cada cliente pode render ao longo do tempo é o que sustenta também as ações de base e disparo. Quando você sabe o retorno por cliente, decide com clareza quanto investir para conquistá-lo, raciocínio detalhado no post sobre payback de disparo: quanto precisa vender para o investimento se pagar.

O ganho real: o produto de entrada não vende mais barato, vende mais vezes. Em vez de brigar para fechar uma venda grande com um cliente que não confia, você abre uma porta pequena e depois sobe o ticket com base já construída. A primeira compra é o convite, e o lucro está na recorrência.

Ancoragem de preço na prática

A ancoragem é a técnica que faz a oferta maior trabalhar a favor da menor. João conta que aprendeu essa mecânica em um treinamento de vendas, e ela mudou a forma de apresentar preço.

A ideia é não começar pelo barato. Mostre primeiro a oferta completa, com o valor cheio, antes de oferecer a versão de entrada.

O primeiro número que o cliente ouve vira a âncora. É contra ele que tudo o mais será comparado.

Quando você abre pelo pacote completo, a versão intermediária parece justa e a de entrada parece um achado, sem que nada tenha mudado de preço.

  • Apresente o topo primeiro. A oferta completa, com tudo incluído e o valor cheio, abre a conversa e fixa a referência alta na cabeça do cliente.
  • Depois mostre as opções menores. Comparadas com o topo, elas parecem acessíveis. O cliente compara com a sua âncora, não com o concorrente mais barato.
  • Deixe o cliente escolher para cima. Muita gente que entraria na opção mínima sobe um degrau, porque o topo fez o intermediário parecer o equilíbrio certo.

O efeito é deslocar a percepção do que é caro e do que é justo. Sem ancoragem, qualquer preço seu é comparado com o menor número que o cliente já viu por aí.

Com ancoragem, ele compara com o teto que você apresentou. O mesmo produto, com a mesma margem, passa a parecer mais vantajoso só pela ordem em que foi mostrado.

O cuidado: ancoragem não é inflar preço artificial para depois fingir desconto. A oferta do topo precisa ser real e fazer sentido, com entrega que justifica o valor. Âncora falsa o cliente percebe, e aí você perde a confiança, que é justamente o que faz a venda sem desconto funcionar.

Como aplicar sem virar guerra de preço

Guerra de preço acontece quando a única coisa que você tem para oferecer é o preço. Quem só compete no menor número está sempre a um centavo de perder o cliente.

Todas as peças deste post existem para tirar você dessa briga: o brinde de valor, o produto de entrada, o orçamento dividido e a ancoragem.

  1. Pare de dar desconto por reflexo. Quando o cliente pedir, tenha pronto um item de custo baixo e valor percebido alto para colocar junto.
  2. Monte um produto de entrada. Uma oferta menor, de baixa barreira, que sirva para o cliente comprar pela primeira vez e provar o seu trabalho.
  3. Divida o orçamento alto. Faça um primeiro orçamento só da dor mais urgente, deixe o cliente experimentar, e traga o resto depois.
  4. Ancore o preço. Apresente sempre a oferta completa primeiro, com o valor cheio, antes de mostrar as opções menores.
  5. Registre tudo no CRM. Quem comprou o produto de entrada, quem pediu orçamento, quem fechou o primeiro pedaço, para chamar de volta na hora certa.

O CRM é o que transforma essas táticas em sistema. Ele guarda quem entrou pela porta pequena e ainda não voltou para o ticket maior, e dispara a próxima oferta para a base certa.

Sem esse registro, o produto de entrada vira só uma venda barata solta. Com ele, vira o primeiro passo de uma jornada que sobe o ticket. A lógica de premiar quem traz cliente que fica, e não só quem fecha barato, está no post sobre o modelo de comissão do vendedor atrelado à retenção.

Ouça no podcast

Neste episódio do WeblivCast, João Vinas detalha por que parou de dar desconto, como ancora preço e por que dividir o orçamento e abrir um produto de entrada aumentam o ticket sem corroer a margem. Vale ouvir a conversa completa.

Quer vender mais sem cortar preço na sua operação?

Nosso time analisa sua oferta, seu funil e seu ticket, e desenha a estratégia de valor, ancoragem e produto de entrada que faz o cliente comprar mais vezes, com o CRM organizando a recompra. 30 minutos de conversa, sem custo.

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