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O Google marcou uma data e ela vale para muita gente que anuncia na busca: 1 de setembro de 2026. A partir desse dia, o Google Ads passa a migrar automaticamente uma parte das campanhas de busca para o AI Max for Search, sem enviar um formulário para você aprovar. Se a sua conta usa correspondência ampla no nível da campanha ou recursos criados automaticamente, ela entra na fila da conversão. Este guia explica, em português direto, o que é o AI Max, o que muda de fato, as datas e o que dá para fazer antes para não ser pego de surpresa.
Em resumo
- Em 1 de setembro de 2026 o Google migra automaticamente para o AI Max as campanhas de busca que usam correspondência ampla de campanha ou recursos criados automaticamente (ACA), com a correspondência de termo de pesquisa ligada por padrão.
- Contas 100% baseadas em palavra-chave exata ou frase, sem esses recursos legados, não são convertidas em setembro.
- A migração das campanhas Dynamic Search Ads (DSA) foi adiada para fevereiro de 2027.
- Há relatos de custo por conversão cerca de 90% maior que na frase, e um levantamento somou US$ 4,7 milhões desperdiçados em 312 falhas documentadas.
- No AI Max a palavra-chave deixa de ser o muro e a lista de negativas vira o freio principal do gasto.
O que é o AI Max do Google Ads
AI Max for Search é o pacote de recursos de inteligência artificial do Google para campanhas de busca. Em vez de o anúncio aparecer apenas para as palavras-chave que você cadastrou, o AI Max usa a chamada correspondência de termo de pesquisa e a criação automática de textos e destinos para ampliar o alcance com base na intenção que o Google enxerga em cada busca. A promessa vendida é simples: mais conversões alcançando pesquisas que você não teria mapeado sozinho.
AI Max for Search é um conjunto de recursos de IA do Google Ads que expande o alcance de uma campanha de busca além das palavras-chave cadastradas, deixando a inteligência artificial decidir para quais pesquisas o anúncio aparece e, em parte, com quais textos.
Na prática, o AI Max desloca o controle. No modelo clássico, você diz ao Google para quais termos quer aparecer e com qual tipo de correspondência. Com o AI Max ligado, boa parte dessa decisão passa para o algoritmo, que testa novas pesquisas por conta própria. Para uma operação que confia no leilão para crescer volume, isso pode soar bom. Para quem precisa de custo por resultado previsível, é uma mudança que merece atenção antes de virar padrão na conta.
O que exatamente migra em 1 de setembro
Nem toda campanha entra na leva. O gatilho da conversão automática são dois recursos legados. Se a campanha usa pelo menos um deles, ela está no caminho do AI Max.
- Correspondência ampla no nível da campanha. Campanhas que ativaram o broad match na configuração da campanha inteira, e não só em palavras-chave isoladas, serão migradas.
- Recursos criados automaticamente (ACA). Campanhas que usam os automatically created assets, ou seja, títulos e descrições que o próprio Google gera, também entram na conversão.
A migração vem com a correspondência de termo de pesquisa ligada por padrão. Isso significa que, no dia seguinte à conversão, a campanha já está buscando pesquisas novas sozinha, a menos que você mexa nas configurações. E o ponto que mais pega gente de surpresa: o processo é automático e não pede autorização do anunciante. Você não recebe um botão de aceitar ou recusar antes. O Google aplica e avisa.
Quem não é convertido em setembro: contas 100% baseadas em palavras-chave, com correspondência exata ou de frase, e sem correspondência ampla de campanha nem recursos criados automaticamente, não entram na migração de 1 de setembro. Se a sua estrutura é assim, você segue no modelo atual, mas continua livre para ativar o AI Max se quiser testar.
| Situação da campanha | Migra em 1 de setembro de 2026? |
|---|---|
| Usa correspondência ampla no nível da campanha | Sim, migração automática |
| Usa recursos criados automaticamente (ACA) | Sim, migração automática |
| 100% palavra-chave exata ou frase, sem recursos legados | Não é convertida |
| Campanha Dynamic Search Ads (DSA) | Não em setembro, adiada para fevereiro de 2027 |
As datas que importam (e o DSA em 2027)
Duas datas resumem o calendário. A primeira é 1 de setembro de 2026, quando começa a migração automática das campanhas com correspondência ampla de campanha ou recursos criados automaticamente. A segunda envolve as campanhas Dynamic Search Ads, que muita loja usa para cobrir catálogo grande sem cadastrar palavra por palavra.
Em junho de 2026 o Google estendeu o prazo das DSA. A conversão dessas campanhas para o AI Max, que antes caminhava junto, foi empurrada para fevereiro de 2027. Ou seja, se a sua operação depende de Dynamic Search Ads, você ganha alguns meses a mais para planejar, mas o movimento continua no horizonte. Não é um cancelamento, é um adiamento.
"O detalhe que mais gera confusão não é a data, é o fato de ser automático. A maioria dos anunciantes acha que vai receber um pedido de permissão antes. Não vai. A campanha muda de comportamento e a conta só percebe depois, olhando o relatório de termos de pesquisa", resume Hugo Silveira.
Por que isso preocupa quem anuncia
A automação do Google não chega sem críticas, e algumas são numéricas. O ponto mais citado é o custo por conversão. Há relatos de anunciantes com custo por conversão cerca de 90% maior no AI Max do que na correspondência de frase. Em um caso divulgado, o AI Max entregou conversões a US$ 100,37 contra US$ 43,97 na frase e US$ 52,69 na exata. Na mesma linha, um levantamento reuniu 312 falhas documentadas de AI Max que somaram US$ 4,7 milhões em verba desperdiçada.
| Tipo de correspondência | Custo por conversão (caso relatado) |
|---|---|
| Correspondência de frase | US$ 43,97 |
| Correspondência exata | US$ 52,69 |
| AI Max | US$ 100,37 |
Esses números são de casos específicos e não valem como média de mercado. O resultado varia por conta, por segmento e por qualidade da lista de negativas. Ainda assim, eles mostram um risco real: quando a IA amplia o alcance sem freio, ela também alcança buscas que não têm nada a ver com o seu negócio. O exemplo que virou símbolo disso foi uma campanha de conserto de eletrodoméstico que apareceu para a busca "obgyn near me", ou seja, ginecologista perto de mim. O clique acontece, o dinheiro sai, e a conversão não vem.
Os três incômodos que os anunciantes mais relatam: perda de controle, porque a palavra-chave deixa de ser o limite; menos transparência, porque fica mais difícil ver e conter cada termo que a IA testa; e um incentivo desalinhado, porque a IA do Google é feita para otimizar a receita do Google, não o retorno sobre investimento do anunciante.
Esse último ponto é o que mais pesa a longo prazo. Quando o mesmo player define o leilão, o algoritmo e o relatório, o anunciante negocia em desvantagem de informação. A automação pode até funcionar em contas com histórico forte e conversão bem medida, mas parte de quem depende de trafego pago para vender fica exposta a cada ajuste que o Google decide aplicar sem perguntar.
A palavra-chave sai de cena, a negativa entra
Vale entender a mudança de mentalidade que o AI Max exige. No modelo tradicional, a palavra-chave funciona como o muro que define onde o anúncio aparece. Você escolhe os termos, escolhe a correspondência, e o alcance fica dentro desse limite. É um controle positivo: você diz onde quer estar.
No AI Max o muro cai. A IA amplia o alcance por conta própria, então a palavra-chave deixa de ser a fronteira. O instrumento de controle que sobra é a lista de palavras negativas, aquela que impede o anúncio de aparecer em buscas específicas. O controle vira negativo: em vez de dizer onde quer estar, você passa a maior parte do tempo dizendo onde não quer estar. É um trabalho diferente, mais reativo, e que nunca termina, porque a IA sempre encontra um termo novo para testar.
No AI Max a palavra-chave deixa de ser o muro. A lista de negativas vira o freio, e freio a gente precisa checar toda semana.
Essa inversão não é exclusividade do Google. É a mesma lógica que já apareceu no ChatGPT Ads, onde não existe palavra-chave no sentido clássico e o anunciante trabalha por intenção. Se você quer entender essa cabeça nova de "descrever intenção em vez de cadastrar termo", o post sobre por que context hint não é palavra-chave no ChatGPT Ads ajuda a fazer a ponte, porque a IA de busca de Google e OpenAI está convergindo para o mesmo modelo.
O que fazer antes de 1 de setembro
Se a sua conta tem campanhas na lista de migração, dá para chegar em setembro preparado. Nenhum desses passos depende de contratar ferramenta nova, depende de organização e de olhar a conta com atenção nas semanas certas.
- Mapeie o que vai migrar. Liste quais campanhas usam correspondência ampla de campanha ou recursos criados automaticamente. Essas são as que mudam de comportamento no dia 1.
- Reforce a lista de negativas. Como a negativa vira o freio principal, entre em setembro com uma lista robusta de termos que não fazem sentido para o seu negócio. Revise o histórico de termos de pesquisa e adicione o que já apareceu errado.
- Defina metas de custo por conversão realistas. Deixe as metas de lance ajustadas antes da migração, para a IA não ter licença de gastar buscando conversões caras demais.
- Ative e acompanhe o relatório de termos de pesquisa. Nas primeiras semanas pós-migração, esse relatório é o seu radar. É onde você vê para quais buscas novas a IA está exibindo o anúncio e onde corta o que estiver desviando verba.
- Decida campanha a campanha. Onde o custo por resultado é sagrado, avalie manter o modelo baseado em palavra-chave em vez de aceitar o AI Max. Onde há margem para testar volume, deixe rodar e meça de perto.
A regra prática: trate as primeiras quatro semanas depois da migração como um período de vigilância. Custo por conversão, termos de pesquisa e taxa de conversão precisam de olho quase diário. Depois que a campanha estabiliza, o acompanhamento volta ao ritmo normal.
O padrão maior: Google, Meta e ChatGPT viram caixa-preta
O AI Max não é um caso isolado. É mais um capítulo de um movimento que já está claro nas três maiores plataformas de anúncio. No Google, o AI Max assume a busca. No Meta, o Advantage+ empurra automação de público e criativo. E o ChatGPT Ads, que acabou de abrir no Brasil, já nasce com a IA no centro da decisão de para quem o anúncio aparece. Os três caminham para a mesma direção: menos controle na mão do anunciante, mais decisão na mão do algoritmo, e um custo por resultado que tende a subir a cada virada dessas.
Quem quer entender onde cada plataforma faz mais sentido hoje encontra um comparativo direto no post sobre ChatGPT Ads, Meta Ads e Google Ads, qual escolher. A conclusão prática é a mesma em todos os canais: o leilão nunca foi seu, e agora ele está ainda menos sob o seu controle.
É aqui que entra a tese que a gente defende no Grupo HRZ. Trafego pago é aluguel. Enquanto você paga, a demanda aparece. Quando o custo sobe, quando a IA vira o algoritmo do dia para a noite, quando a plataforma muda a regra sem avisar, a operação que depende 100% de leilão fica exposta. A defesa contra isso não é abandonar anúncio, é construir um ativo próprio que ninguém pode encarecer no leilão: a sua base.
Base de ex-clientes, base de contatos de WhatsApp, gente que já comprou de você e já confia. Esse é o ouro que a maioria das operações deixa parado. Quando você organiza essa base e concentra demanda em picos de venda, você gera receita sem depender do humor do Google. É a lógica por trás do nosso método de pico de vendas para varejo e e-commerce: reativar quem já é seu, na hora que você decide, com a oferta certa.
O que a gente já faz na prática: montamos o pixel e a Conversions API do ChatGPT Ads no nosso próprio site antes mesmo do piloto abrir, para não depender do que a plataforma entrega de graça. O passo a passo real está no post sobre como implementamos o pixel e a Conversions API do ChatGPT Ads. Rodar anúncio sim, mas com dado seu, medição sua e uma base sua para reativar quando o leilão apertar.
Os números do método falam por si. Uma rede de 15 lojas (Polishop) faturou R$ 764 mil em 24 horas com uma ação concentrada. Uma loja de moda masculina na Bahia faturou R$ 552.177 em 48 horas com R$ 14.359 investidos. Um e-commerce de cosméticos chegou a R$ 1.900.909 em uma única ação de reativação. São mais de 250 negócios acelerados, mais de R$ 70 milhões gerados no digital e um método já validado mais de 100 vezes. Nenhum desses resultados dependeu de o Google manter o custo por clique baixo. Dependeu de base própria e timing de oferta.
A migração de 1 de setembro é uma boa desculpa para uma conta maior. Se uma mudança automática de uma plataforma consegue mexer no seu custo por resultado sem pedir licença, a sua receita está apoiada em terreno alugado. Anúncio continua valendo, mas ele funciona melhor quando é uma das pernas da operação, não a única. A outra perna é a base que você controla, reativa e monetiza no seu ritmo.
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Bastidores de trafego, base própria e pico de venda toda semana
Hugo Silveira mostra no YouTube e no Instagram como operações reais constroem receita que não depende só do leilão. Siga para acompanhar método e estratégia na prática.
