Conteúdo deste post
- Por que não existe um percentual certo de verba para a Black Friday?
- Qual é a fórmula para calcular a verba de anúncios da Black Friday?
- Como preencher a tabela de verba da sua loja?
- O que mostra o caso UseZest, loja física de moda masculina?
- O que mostra o caso Alphahall, e-commerce de cosméticos?
- Como medir se o investimento em anúncios da Black Friday valeu?
- Como saber se a mídia trouxe venda nova ou só cobrou pedágio?
- Por que a base própria reduz a verba necessária?
- Quais são os erros mais comuns ao definir a verba da Black Friday?
- O que fazer agora, a 29 dias da Black Friday?
- A leitura da HRZ
- Perguntas frequentes
Quanto investir em anúncios na Black Friday depende de uma conta, não de um percentual de mercado: você parte da meta de receita, divide pelo ticket médio para achar quantos pedidos precisa, define quanto pode pagar por pedido sem perder dinheiro e multiplica uma coisa pela outra. O resultado é a verba máxima que faz sentido, e a medição depois compara o que a mídia gerou de fato contra esse teto.
Ninguém sério consegue dizer qual porcentagem do faturamento a sua loja deve colocar em mídia na Black Friday de 27/11/2026, porque essa porcentagem nasce da sua margem, do seu ticket e da sua base de clientes. O que dá para entregar é o método. É o que este guia faz, com uma tabela para você preencher e dois casos da operação do Grupo HRZ Aceleração Digital abertos com os números completos.
Em resumo
- A verba de mídia da Black Friday sai da conta: pedidos necessários (meta dividida pelo ticket) multiplicados pelo custo por pedido que a sua margem aguenta.
- O custo por pedido máximo é o ticket vezes a margem de contribuição; acima dele, cada venda feita pela mídia dá prejuízo.
- Base própria aquecida (clientes, grupos de WhatsApp, lista VIP) reduz a verba necessária, porque parte dos pedidos não depende de leilão.
- Na UseZest, loja física de moda masculina, R$ 14.359 de mídia acompanharam R$ 552.177 em vendas em 48 h; na Alphahall, e-commerce de cosméticos, R$ 103.679 acompanharam R$ 1.900.909 em 48 h.
- Medir se valeu exige comparar a receita total do período, não só o que o painel de anúncios atribui, porque cada plataforma usa a própria regra de atribuição.
Por que não existe um percentual certo de verba para a Black Friday?
Porque a mesma verba pode ser lucro numa loja e prejuízo na outra. Uma operação com margem alta e ticket alto aguenta pagar caro por pedido; uma operação de margem apertada quebra se pagar o mesmo valor. Copiar o percentual de outra empresa é copiar a margem dela sem saber qual é.
Quando procuramos o que o mercado publica sobre isso, o padrão é o mesmo: os guias mais lidos dizem para usar o histórico da própria loja e não arriscam um número. Faz sentido. Um percentual sem fonte e sem contexto vira referência falsa, e é exatamente o tipo de número que alguém repete numa reunião de planejamento sem saber de onde veio. Por isso aqui não vai ter faixa recomendada. Vai ter a conta, letra por letra, e a explicação de cada parte.
Existe ainda um segundo motivo, mais prático. Na Black Friday a mídia não trabalha sozinha. Parte dos pedidos vem de quem já é cliente, de quem está no grupo de WhatsApp da loja, de quem recebeu uma mensagem de reativação. Esses pedidos não custam leilão. Quanto maior essa parte, menor a verba de mídia necessária para bater a mesma meta. É por isso que o planejamento de verba começa na base, como mostramos no guia de pico de vendas em 24 ou 48 horas.
Qual é a fórmula para calcular a verba de anúncios da Black Friday?
A fórmula tem cinco passos e só usa números que você já tem ou consegue estimar com o histórico da loja. Usamos letras para que a conta sirva para qualquer operação.
Pedidos necessários P = M ÷ T. Custo por pedido máximo CPAmáx = T × m. Pedidos que dependem da mídia Pmídia = P − Pbase. Verba máxima V = Pmídia × CPAalvo, com CPAalvo abaixo de CPAmáx. Retorno sobre mídia R = receita do período ÷ V.
Onde M é a meta de receita do período, T é o ticket médio esperado na data, m é a margem de contribuição em proporção (o que sobra de cada venda depois de produto, frete, taxa de pagamento, comissão e imposto) e Pbase é a estimativa de pedidos que virão da base própria sem mídia paga.
- Defina a meta de receita (M) por período. Separe a semana de aquecimento, a sexta 27/11, o fim de semana e a Cyber Monday de 30/11. Meta única para o mês esconde o dia em que a verba precisa estar mais alta.
- Estime o ticket médio da data (T). Na Black Friday o ticket muda: combos sobem o valor, desconto direto derruba. Use o ticket da última data comercial parecida, ajustado pela oferta que você vai fazer.
- Calcule o custo por pedido máximo (CPAmáx = T × m). É o valor em que a venda feita pela mídia empata. Acima dele, cada pedido custa mais do que deixa.
- Desconte os pedidos da base (Pbase). Olhe quantos clientes compraram de você em datas anteriores sem anúncio e quantos contatos você tem aquecidos hoje. Essa estimativa precisa ser conservadora.
- Multiplique os pedidos que dependem da mídia pelo custo por pedido alvo. O alvo fica abaixo do máximo, para deixar lucro na venda. O resultado é a verba máxima, não a obrigatória.
Repare que a conta pode dar um resultado incômodo: a meta pode exigir mais pedidos do que a margem permite comprar. Quando isso acontece, a solução não é aumentar a verba e torcer. É mexer em ticket (combo, kit, brinde acima de um valor), em margem (oferta que não corta o preço do produto principal) ou em base (mais clientes aquecidos antes da data). As alavancas além do desconto estão no artigo 7 alavancas da Black Friday além do desconto.
Como preencher a tabela de verba da sua loja?
A tabela abaixo é o mesmo formato que usamos no planejamento de pico. Preencha a coluna da direita com os números da sua operação. Se uma linha ficar vazia porque você não sabe o valor, esse é o primeiro trabalho antes de ligar qualquer campanha.
| Linha | O que é | Como calcular | Sua loja |
|---|---|---|---|
| M | Meta de receita do período | Definida pela operação, por dia da campanha | |
| T | Ticket médio esperado | Histórico da última data parecida, ajustado pela oferta | |
| P | Pedidos necessários | M ÷ T | |
| m | Margem de contribuição | (preço − custo do produto − frete − taxas − comissão − imposto) ÷ preço | |
| CPAmáx | Custo por pedido em que a venda empata | T × m | |
| CPAalvo | Custo por pedido que deixa lucro | Abaixo de CPAmáx, decisão da operação | |
| Pbase | Pedidos esperados da base própria | Histórico de compras sem anúncio + contatos aquecidos | |
| Pmídia | Pedidos que dependem de anúncio | P − Pbase | |
| V | Verba máxima de mídia | Pmídia × CPAalvo | |
| R | Retorno sobre mídia (depois) | Receita do período ÷ verba gasta |
Dois cuidados com a tabela. Primeiro, a margem precisa ser a margem de contribuição real, com frete e taxa de pagamento, não a margem bruta do produto. Lojas que calculam pela margem bruta enxergam um custo por pedido máximo maior do que o real e pagam caro demais sem perceber. Segundo, a conta deve ser feita por dia, porque a verba não se distribui igual: o aquecimento pede alcance, a data pede conversão, e o pós data pede recompra de quem já comprou.
O que mostra o caso UseZest, loja física de moda masculina?
A UseZest é uma loja física de moda masculina no interior da Bahia. Na ação acompanhada pelo Grupo HRZ, a loja vendeu R$ 552.177 em 48 horas com R$ 14.359 de mídia, todo o resultado presencial, sem venda online. Na primeira ação da mesma loja, R$ 3 mil de mídia acompanharam R$ 221 mil em vendas.
Aplicando a última linha da tabela: R = 552.177 ÷ 14.359, o que dá cerca de 38,5 reais em vendas para cada real de mídia. Olhando pelo outro lado, a mídia representou cerca de 2,6% da receita do período (14.359 ÷ 552.177). Esses números são o retrato de uma ação, não uma referência para a sua loja, e a razão está no que veio antes da mídia.
O que explica a relação entre verba e venda nesse caso é a parte da tabela que não aparece no painel de anúncios: Pbase. A ação foi um pico com data, prazo e oferta desenhada, com a base da loja aquecida antes, e a mídia entrou para amplificar uma demanda já organizada. Quando quase todo o volume depende de quem já conhece a loja, a verba necessária para bater a meta fica pequena em relação à receita. Uma loja sem base aquecida, rodando a mesma verba, não teria por que esperar o mesmo resultado.
O que mostra o caso Alphahall, e-commerce de cosméticos?
A Alphahall é um e-commerce de cosméticos. Na ação acompanhada pelo Grupo HRZ, foram R$ 1.900.909 em vendas em 48 horas, com mídia de R$ 103.679, 7.153 pedidos, ticket médio de R$ 266 e conversão de 28,2%, com retorno de 18,3x sobre a mídia.
Esse caso permite fechar a tabela inteira, porque todos os números da conta estão disponíveis:
| Linha | Alphahall, ação de 48 h | Conta |
|---|---|---|
| Receita do período | R$ 1.900.909 | Informado |
| Pedidos (P) | 7.153 | Informado |
| Ticket médio (T) | R$ 266 | 1.900.909 ÷ 7.153 |
| Mídia (V) | R$ 103.679 | Informado |
| Mídia por pedido | cerca de R$ 14,49 | 103.679 ÷ 7.153 |
| Mídia sobre receita | cerca de 5,5% | 103.679 ÷ 1.900.909 |
| Retorno sobre mídia (R) | 18,3x | 1.900.909 ÷ 103.679 |
A linha "mídia por pedido" é a que conversa com o seu custo por pedido máximo. Ela não é o custo por aquisição que a plataforma mostra, porque divide a verba por todos os pedidos do período, inclusive os que vieram da base. É a forma honesta de olhar: quanto a operação gastou em mídia para cada pedido que entrou, independentemente de quem o painel decidiu creditar.
Comparando os dois casos, a mídia pesou cerca de 2,6% da receita na UseZest e cerca de 5,5% na Alphahall. Uma é loja física, a outra é e-commerce; uma vendeu presencialmente, a outra num checkout online. A diferença mostra justamente por que não existe percentual universal: canal, ticket, base e oferta mudam a relação entre verba e venda.
Como medir se o investimento em anúncios da Black Friday valeu?
Mede-se comparando a receita total do período com a verba gasta e com o custo por pedido máximo calculado antes, e não só pelo número que cada painel de anúncios atribui a si mesmo. O painel responde a uma pergunta diferente: quantas conversões aquela plataforma reivindica pela regra dela.
Essa diferença existe porque cada plataforma atribui de um jeito. O Google Ads explica na própria central de ajuda que o modelo de último clique dá todo o crédito ao último anúncio clicado, enquanto o modelo baseado em dados distribui o crédito entre as interações a partir do histórico da conta, e que este é o padrão para a maior parte das ações de conversão. A Meta mede com a própria janela de atribuição. Quando o mesmo cliente vê um anúncio no Instagram, pesquisa no Google e compra, as duas plataformas podem contar a mesma venda. Somar os painéis infla o resultado.
- Feche a receita pelo caixa. Use o faturamento real do período (sistema de pedidos, PDV, plataforma da loja), não a soma das conversões reportadas pelos anúncios.
- Calcule o retorno total. Receita do período dividida pela verba total gasta em todas as plataformas. É a mesma conta que fizemos nos dois casos.
- Compare a mídia por pedido com o seu CPAmáx. Se a verba dividida pelos pedidos ficou acima do custo em que a venda empata, a campanha vendeu, mas não deixou margem.
- Separe base e aquisição. Quantos pedidos vieram de clientes que já tinham comprado, de contatos dos grupos e da lista, e quantos de clientes novos. Isso diz se a mídia trouxe gente nova ou só cobrou pedágio de quem ia comprar de qualquer jeito.
- Leia o painel como sinal, não como verdade. O número da plataforma serve para comparar campanhas e criativos entre si dentro dela, não para dizer quanto a loja ganhou.
O ROAS que o Google Ads usa nos lances é calculado como valor de conversão dividido pelo custo do anúncio. A conta é a mesma do retorno sobre mídia da tabela; a diferença está no numerador. No painel, o valor de conversão é o que a plataforma atribui. Na sua conta, é a receita do caixa.
Como saber se a mídia trouxe venda nova ou só cobrou pedágio?
A forma mais direta é olhar o incremento: quanto a loja vendeu a mais do que venderia sem a mídia. Na prática, com o tempo curto da Black Friday, poucas operações conseguem rodar um teste controlado com grupo sem anúncio. Mas dá para chegar perto com três leituras.
A primeira é a comparação com a sua própria linha de base: quanto a loja vendeu em períodos parecidos sem campanha, e quanto vendeu a base própria em datas anteriores. A segunda é a separação por tipo de cliente, que aparece no passo quatro da medição. A terceira é acompanhar a busca pela marca e o tráfego direto durante a campanha: se eles sobem junto com a mídia, parte do efeito aparece como venda "orgânica" no painel e mesmo assim foi gerada pelo anúncio.
O erro mais comum é o oposto: celebrar o retorno do painel numa campanha de remarketing para clientes que já estavam no carrinho. O retorno parece alto porque a plataforma credita a venda a quem já ia comprar. Quando você separa base e aquisição, descobre quanto dessa verba realmente comprou pedido novo.
Por que a base própria reduz a verba necessária?
Porque cada pedido que vem de quem já é cliente sai da linha Pmídia e entra na linha Pbase, que não paga leilão. A mesma meta passa a exigir menos verba. É uma conta simples e é o motivo de a reativação vir antes da mídia no nosso calendário.
Na prática, isso significa que as semanas antes de 27/11 valem mais para a verba do que a própria sexta. Reativar clientes inativos, montar a lista VIP e aquecer os grupos de WhatsApp aumenta Pbase e reduz quanto você precisa comprar no pico, quando o leilão está mais disputado. O passo a passo dessa preparação está em como reativar a base de clientes antes das datas comerciais, e a lógica de projetar cenários antes de definir a oferta está em projeção de cenários para a meta do pico.
Há uma consequência de verba aqui. Se a sua base é pequena ou está fria, a conta vai pedir mais mídia, e a pergunta honesta passa a ser se a margem aguenta. Se não aguenta, talvez a melhor decisão de Black Friday seja uma meta menor com lucro do que uma meta maior paga pelo leilão. Proteger margem no pico é o tema de oferta desconfortável.
Quais são os erros mais comuns ao definir a verba da Black Friday?
| Erro | Por que custa caro | Como corrigir |
|---|---|---|
| Usar percentual de outra empresa | Copia uma margem e um ticket que não são os seus | Fazer a conta da tabela com os seus números |
| Calcular pela margem bruta | Ignora frete, taxas e comissão e superestima o CPAmáx | Usar margem de contribuição |
| Somar os painéis de anúncios | A mesma venda pode ser contada por mais de uma plataforma | Fechar a receita pelo caixa |
| Concentrar a verba só na sexta | Paga o leilão mais caro sem base aquecida | Distribuir entre aquecimento, data e pós data |
| Ignorar a base própria | Compra na mídia pedidos que viriam de graça | Estimar Pbase e reativar antes |
| Medir só pelo retorno do remarketing | Credita à mídia quem já ia comprar | Separar base e aquisição |
Vale um sétimo erro, que não cabe na tabela: decidir a verba depois de ligar a campanha. Na data, com o painel mostrando resultado, a tentação é subir orçamento porque "está vendendo". Sem o CPAmáx calculado antes, você não sabe se cada real a mais está comprando lucro ou prejuízo. A conta feita em outubro é o que te protege em novembro. Se a operação ainda não tem públicos quentes organizados, comece por públicos quentes no Meta Ads e por reativar a base antes de ajustar o Google Ads.
O que fazer agora, a 29 dias da Black Friday?
- Preencha a tabela hoje. Meta por dia, ticket da oferta, margem de contribuição real e custo por pedido máximo. Se faltar algum número, levante antes de comprar mídia.
- Estime Pbase com cautela. Quantos clientes compraram em datas anteriores sem anúncio e quantos contatos estão aquecidos hoje.
- Comece a reativação agora. Cada pedido que sai da base reduz a verba necessária no pico.
- Distribua a verba por fase. Aquecimento, sexta 27/11, fim de semana e Cyber Monday 30/11, com teto por dia.
- Arrume a medição antes da data. Pedidos no caixa, separação entre cliente novo e da base e envio da venda real para as plataformas.
- Decida a regra de corte. Se a mídia por pedido passar do CPAmáx, a campanha é reduzida, mesmo que esteja vendendo.
O calendário completo dessa reta final está em Black Friday 2026: o plano dos últimos 28 dias. E, como a mesma conta vale para dezembro, guarde a tabela para o pico de Natal e para as ideias de venda no Natal.
A leitura da HRZ
A pergunta "quanto investir" quase sempre esconde outra: quanto da minha venda depende do leilão. Nas operações que acompanhamos, mais de 250 negócios acelerados e mais de 70 milhões de reais gerados no digital, a verba que dá certo é a que entra depois da base organizada, não no lugar dela. Os dois casos deste texto mostram isso de lados diferentes: uma loja física e um e-commerce, com pesos de mídia diferentes, ambos com a base trabalhada antes da data.
Por isso a nossa recomendação não é um número, é uma ordem: primeiro a conta, depois a base, depois a mídia, e a medição pelo caixa no fim. Quem inverte essa ordem costuma descobrir em dezembro que vendeu muito e ganhou pouco.
- : Publicação.
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Bastidores de tráfego, base própria e pico de venda toda semana
Hugo Silveira mostra no YouTube e no Instagram como operações reais constroem receita que não depende só do leilão. Siga para acompanhar método e estratégia na prática.
